Angola é um país com grandes potencialidades faunísticas, que propiciam o desenvolvimento de diversos segmentos da actividade turística, com particular destaque para o ecoturismo e o turismo cinegético. Depois de 18 anos de interrupção, o Governo angolano aprovou, no ano passado, o novo Regulamento de Caça e Gestão Sustentável da Fauna Selvagem, criando, assim, o quadro legal para a promoção do Turismo Cinegético em Angola. Para o efeito, foi estabelecida uma parceria com a Conservation Force, parceira do Dallas Safari Club, uma das maiores organizações de caçadores do mundo, sediada nos Estados Unidos da América. Neste âmbito, representantes do Ministério do Turismo, do Ministério da Agricultura e da Associação de Caçadores tiveram a oportunidade de participar na convenção anual da referida organização, onde foram apresentadas as grandes potencialidades faunísticas de Angola. Durante a convenção, foi igualmente realizada uma oferta, através de leilão, de várias espécies animais provenientes de fazendas de pecuarização, nomeadamente a Fazenda Carivo, em Benguela, a Fazenda Boi Verde, no Cunene, e a Fazenda Onyati, na Huíla. Na sequência desta iniciativa, dois caçadores profissionais ligados ao Dallas Safari Club, entre os quais o seu Presidente e outro membro da organização, tiveram a oportunidade de deslocar-se a Angola, no período de 17 a 30 de Agosto, para a prática da actividade cinegética nas fazendas de pecuarização acima referenciadas. Os referidos caçadores realizaram com sucesso a caça de alguns machos solitários nas referidas fazendas, destacando-se espécies de antílopes, como a gunga e a kissemа. Os troféus foram devidamente tratados por um taxidermista e, cumpridas todas as formalidades legais, serão enviados para os países de origem dos caçadores, simbolizando, assim, o regresso do Turismo Cinegético a Angola.
Para Mário Ribeiro (Marito Kacongo), Presidente da Associação de Caçadores, visivelmente emocionado por testemunhar este momento histórico do reinício da actividade cinegética em Angola, a missão foi realizada com êxito, apesar dos desafios inerentes à retenção temporária do material, nomeadamente das armas, essencial para a logística dos caçadores. Contudo, prevaleceu o bom senso e a situação foi resolvida com a intervenção oportuna de representantes do Ministério do Interior. Mário Ribeiro destacou igualmente a calorosa hospitalidade e o apoio prestado pelos responsáveis das referidas fazendas de pecuarização, que proporcionaram todas as condições necessárias, fazendo com que todos se sentissem em casa e permitindo a realização de uma memorável caçada. Noutra vertente, a Directora do IDF realçou o apoio prestado no processo de legalização das fazendas de pecuarização e na atribuição das licenças de caça, permitindo que os caçadores desenvolvam esta actividade dentro dos marcos legais estabelecidos. Por sua vez, o Director-Geral do Instituto da Biodiversidade fez saber que o Regulamento de Caça define as espécies que podem ser abatidas fora das áreas de conservação, estando excluídas as espécies protegidas no âmbito da CITES — Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção. Por outro lado, Rui Lisboa, P.C.A. da ANAGERO, destacou o interesse do Ministério do Turismo em promover o Turismo Cinegético, considerando tratar-se de uma actividade com elevado potencial económico, capaz de contribuir significativamente para a diversificação da economia nacional. Realçou também que se pretende criar ou reorganizar as antigas coutadas nas regiões do Cuando e do Cubango, transformando-as em núcleos principais da actividade cinegética em Angola. Rui Lisboa considerou igualmente importante diferenciar o Turismo Cinegético da caça furtiva. Segundo o responsável, a caça furtiva é praticada sem qualquer regra, podendo resultar no abate indiscriminado de animais, incluindo fêmeas prenhes e exemplares ainda em fase de crescimento. Os animais abatidos ilegalmente são, muitas vezes, comercializados a preços reduzidos, quando, inseridos num circuito legal e sustentável de Turismo Cinegético, podem gerar receitas significativamente superiores. Nesta modalidade, os animais são previamente seleccionados, respeitando-se critérios de sustentabilidade e procurando-se não comprometer a capacidade reprodutiva das manadas.
Por outro lado, os caçadores norte-americanos, que atravessaram o Oceano Atlântico para conhecer e praticar a actividade cinegética em território angolano, manifestaram a sua satisfação pela experiência vivida em Angola. Destacaram o apoio prestado pela Associação de Caçadores, o suporte logístico da Operadora de Turismo Kacongos, bem como a hospitalidade demonstrada pelos responsáveis das fazendas por onde passaram durante a realização da actividade cinegética. Recorde-se que a época de caça em Angola decorre de 1 de Agosto a 31 de Dezembro de 2026, estando, nesta fase, a actividade autorizada apenas nas Fazendas de Pecuarização, nos termos da legislação em vigor. O CONSELHO DA ADMINISTRAÇÃO DA ANAGERO, em Luanda, aos 31 de Agosto de 2026.



